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Histórias do Consultório | Quando a dor fala “Acho que estou perto de um burnout.” Foi assim que um paciente chegou ao meu consultório. Estava exausto, irritado e com a sensação de viver no limite. Relatava dermatite, rinite, crises alérgicas e um cansaço constante.

“Meu corpo parece que não aguenta mais”, dizia. Ao longo dos encontros, fomos compreendendo como sua rotina havia se organizado quase inteiramente em torno do trabalho. Produtividade, metas e obrigações ocupavam seus dias.

A família, o descanso, a espiritualidade e os vínculos tinham cada vez menos espaço. Quando o urgente ocupa o lugar do essencial O trabalho tinha valor para ele. Mas outras dimensões importantes de sua vida estavam sendo deixadas de lado.

Havia uma distância crescente entre aquilo que reconhecia como essencial e aquilo que conseguia viver. No olhar da Logoterapia, examinar essa distância ajuda a compreender os valores que orientam nossas escolhas. Uma prioridade pode ocupar tanto espaço que acaba comprometendo outras fontes de sentido.

Isso não significa atribuir todos os sintomas físicos a um conflito de valores. As queixas corporais precisam de avaliação médica, e o sofrimento relacionado ao trabalho exige atenção às condições e às cobranças desse ambiente. Reorganizar a vida também faz parte do cuidado Na terapia, buscamos reconhecer limites, compreender as exigências que ele enfrentava e construir mudanças possíveis.

Recuperar espaço para o descanso, os vínculos e a espiritualidade era parte desse processo. A pergunta deixou de ser somente “Como posso aguentar mais?” e passou a incluir: “Como posso cuidar da minha vida e dar espaço ao que realmente tem valor para mim?” Essa reflexão pode abrir caminho para escolhas mais coerentes com o que desejamos preservar — e para buscar o apoio necessário para realizá-las.

Danuza El KhatibPsicóloga · Logoterapeuta