Histórias do Consultório | Quando a dor fala Ela chegou ao consultório depois de quase dois anos de tratamento para depressão. Fazia terapia, tomava medicação e buscava melhorar. Ainda assim, repetia: “Continuo sem energia.
Meu corpo parece não reagir.” O sofrimento emocional estava presente, mas o cansaço físico intenso e a lentidão chamaram minha atenção. Era importante ampliar o olhar e investigar possíveis condições físicas associadas ao que ela sentia. Uma avaliação médica, com exames, identificou hipotireoidismo — uma condição que pode causar fadiga, lentidão e sintomas depressivos.
Esse achado trouxe uma informação importante para compreender o quadro e orientar o cuidado. O corpo faz parte da história Sintomas semelhantes podem ter causas diferentes ou coexistir. Identificar uma condição física não exclui, por si só, um transtorno de humor.
Por isso, o diálogo entre os profissionais envolvidos pode ser fundamental. Essa experiência reforçou uma convicção que orienta minha prática: precisamos escutar a pessoa por inteiro. Na Logoterapia, o ser humano é compreendido em suas dimensões corporal, psíquica e espiritual ou noética.
Esse olhar considera a saúde física, as emoções, os vínculos, os valores e a busca por sentido como aspectos de uma mesma pessoa. Na clínica, acolher o sofrimento envolve reconhecer essas dimensões e perceber quando outras avaliações são necessárias. Escutar a pessoa por inteiro é dar atenção ao que ela sente, ao que vive e ao que seu corpo pode estar sinalizando.