Histórias do Consultório “Eu nunca deveria ter cometido esse erro.” Um paciente me disse isso com muita dor. Naquela frase, havia arrependimento e uma dificuldade de aceitar que ele próprio pudesse ter falhado. Depois de alguns instantes, respondi: “O erro pode ter uma função na maneira como seguimos a vida.” Ele pode nos levar a reconhecer consequências, assumir responsabilidades e reparar o que for possível.
Pode nos colocar diante de algo que nem sempre aceitamos com facilidade: nossa própria humanidade. Reconhecer que somos falíveis Quando exigimos perfeição de nós mesmos, um erro pode parecer uma sentença sobre quem somos. Mas existe uma diferença entre reconhecer “eu errei” e concluir “eu sou um erro”.
Aceitar que falhamos permite examinar nossas atitudes com honestidade, sem reduzir toda a nossa história a um acontecimento. A partir daí, podemos perguntar o que precisa mudar e como realizar essa mudança. Esse reconhecimento pode ampliar nossa compreensão das outras pessoas.
Ao entrar em contato com a própria fragilidade, encontramos motivos para escutar com mais atenção e julgar com mais cuidado. Da culpa à responsabilidade No olhar da Logoterapia, a culpa por um erro pode abrir uma possibilidade de transformação. O arrependimento ganha expressão quando procuramos reparar um dano, pedir perdão ou construir uma resposta diferente.
Amadurecer envolve reconhecer o impacto do que fizemos e cuidar do que ainda está ao nosso alcance. Nesse processo, podemos nos tornar mais humildes, responsáveis e compassivos. Um erro não precisa definir toda a sua vida.
A maneira como você responde a ele pode ajudar a construir quem você está se tornando. Olhando para sua história, que erro mudou sua maneira de agir — ou de compreender a si mesmo e aos outros?