Uma frase do meu pai que, com o tempo, se tornou uma referência para a vida. Meu pai sempre dizia: “Não procure culpados. Resolva o problema.” Ouvi isso a vida inteira.
Mas, na hora de uma briga, eu queria explicar, me defender e provar que a culpa não era minha. E ele repetia a mesma frase. Na infância, aquilo parecia duro.
Eu tinha a impressão de que ele não queria saber quem estava certo. Hoje, compreendo o que havia naquele ensinamento: um convite à responsabilidade. Existe uma diferença entre provar que temos razão e contribuir para uma solução.
Podemos gastar nossa energia repetindo acusações ou reconhecer o que aconteceu e perguntar: o que posso fazer agora? Isso não significa ignorar uma injustiça ou assumir uma responsabilidade que pertence ao outro. Compreender o que aconteceu e reconhecer responsabilidades pode ser necessário para reparar danos e estabelecer limites.
O ensinamento do meu pai me ajuda a dar o passo seguinte: buscar uma resposta que faça diferença. Na Logoterapia, encontro uma aproximação com essa memória. Mesmo quando não escolhemos uma situação, podemos explorar as possibilidades de responder a ela dentro dos limites que vivemos.
Essa resposta pode ser reconhecer um erro, pedir desculpas, conversar, buscar ajuda ou mudar uma atitude. Há situações em que resolver significa proteger-se e estabelecer um limite. Hoje, aquela frase me acompanha na vida e no consultório.
Ela me lembra que a responsabilidade ganha forma quando transformamos a compreensão em ação. Diante do que aconteceu, qual é o próximo passo que está ao meu alcance?