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Uma memória sobre compromisso, coerência e confiança. “Minha palavra é fio de bigode.” Meu pai dizia. Meu avô dizia.

E havia uma seriedade nessa frase que só compreendi plenamente muitos anos depois. Para eles, dar a palavra era assumir um compromisso. O que diziam precisava encontrar correspondência no que faziam.

Eu reconhecia isso nas atitudes: na disposição para cumprir um combinado e na responsabilidade com aquilo que prometiam. Essa memória me ensinou que a confiança se constrói na coerência. Quando alguém cumpre sua palavra, comunica ao outro: você pode contar comigo.

Hoje, temos contratos, mensagens e registros que ajudam a proteger nossos acordos. São recursos importantes. Ainda assim, a confiança continua dependendo da maneira como cada pessoa assume seus compromissos.

Ela se fortalece nas pequenas situações: chegar no horário combinado, responder a uma mensagem, realizar uma tarefa ou estar presente quando prometemos estar. E, quando algo impede o cumprimento de um acordo, a responsabilidade aparece na disposição para avisar, explicar e reparar o que for possível. No olhar da Logoterapia, nossos valores ganham expressão nas respostas concretas que damos à vida.

Honrar a própria palavra é uma maneira de viver a honestidade, o respeito e a responsabilidade. Cada compromisso envolve alguém que confiou em nós. Quando lembro do meu pai e do meu avô dizendo aquela frase, reconheço um ensinamento que desejo levar adiante: cuidar da palavra é cuidar da confiança que o outro deposita em nós.

Minha palavra é fio de bigode. Uma lembrança de família que continua me perguntando: o que eu faço sustenta aquilo que digo?

Danuza El KhatibPsicóloga · Logoterapeuta