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Pequenas histórias, grandes sentidos Algumas lembranças dolorosas ocupam tanto espaço que o bem recebido parece desaparecer. Um conto sobre dois amigos nos convida a refletir sobre aquilo que preservamos em nossa memória. Dois amigos atravessavam o deserto quando, em um momento de tensão, discutiram.

Impulsivamente, um deles feriu o outro. O amigo ferido se abaixou e escreveu na areia: “Hoje, meu melhor amigo me feriu.” Continuaram caminhando até encontrar um oásis. Ali, o homem que havia sido ferido começou a se afogar e foi salvo pelo companheiro.

Quando se recuperou, escreveu em uma pedra: “Hoje, meu melhor amigo salvou a minha vida.” Intrigado, o outro perguntou: — Por que você escreveu a dor na areia e o bem na pedra? Ele respondeu: — As dores, escrevo na areia para que o vento do perdão possa levá-las. O bem, gravo na pedra para que o tempo não o apague.

Que lugar damos às nossas lembranças? As feridas precisam ser reconhecidas e cuidadas. Quando voltamos continuamente a elas, porém, podemos perder de vista outras experiências que fazem parte da nossa história: o acolhimento que recebemos, os gestos de generosidade e as pessoas que estiveram presentes em momentos difíceis.

Recordar o bem amplia nosso olhar sobre a vida. Permite reconhecer que, mesmo em uma história marcada por sofrimento, houve encontros e experiências que merecem ser preservados. O perdão, quando possível, é um caminho pessoal que exige tempo.

Ele pode coexistir com limites e com a decisão de se afastar de uma relação. Um gesto de cuidado não apaga uma agressão nem dispensa a responsabilidade de quem feriu. Um olhar da Logoterapia Na Logoterapia, aquilo que vivemos de significativo permanece como parte da nossa história.

O amor recebido, o cuidado oferecido e os encontros verdadeiros têm valor, mesmo quando as circunstâncias mudam. Reconhecer essas experiências pode oferecer sustentação para o presente e nos ajudar a perceber o que desejamos levar adiante. Vale perguntar: quais lembranças tenho revisitado?

Que gestos de amor merecem ser recordados com mais atenção? A dor merece cuidado. E o bem que recebemos merece um lugar vivo em nossa memória.

Danuza El KhatibPsicóloga · Logoterapeuta