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Reflexões sobre o Nosso Tempo A inteligência artificial pode organizar informações, sugerir caminhos e ajudar a elaborar perguntas. Mas existe uma resposta que exige sua participação na vida: o que dá sentido à sua existência? Na encíclica Magnifica Humanitas, dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial, o Papa Leão XIV cita Viktor Frankl ao refletir sobre a capacidade humana de praticar o mal e, ainda assim, preservar possibilidades de bem e dignidade.

Esse encontro me chama a atenção por aproximar duas perspectivas distintas — a visão cristã e a Logoterapia — em uma preocupação essencial: reconhecer o valor da pessoa para além de sua produtividade, de suas funções e das condições em que vive. Informação e sentido Podemos encontrar respostas rápidas em uma tela. Compreender o que merece nossa dedicação, porém, exige olhar para a realidade, escutar a consciência e assumir compromissos.

O sentido ganha expressão no cuidado com alguém, no trabalho que realizamos, nos encontros que cultivamos e na atitude diante de uma dificuldade inevitável. É uma descoberta que envolve nossa presença e nossas escolhas. A tecnologia pode apoiar essa reflexão.

A responsabilidade de transformar uma possibilidade em uma atitude permanece conosco. Preservar o que nos torna humanos No olhar da Logoterapia, somos capazes de reconhecer valores, tomar alguma distância das próprias reações e nos voltar para pessoas e causas que importam. Essas capacidades precisam de espaço para serem vividas.

Em meio ao avanço tecnológico, vale perguntar: estamos mais disponíveis para escutar? Nossos vínculos recebem atenção? O tempo que economizamos está encontrando um destino significativo?

A pergunta pelo sentido pede mais do que uma resposta bem formulada. Pede uma vida que, aos poucos, a coloque em prática.

Danuza El KhatibPsicóloga · Logoterapeuta