Memórias que Formam Valores Eu achava que minha mãe estava me levando à igreja. Hoje, percebo que ela estava me ensinando a confiar na vida. Todos os domingos, ela me levava à missa.
Na infância, eu achava chato: era cedo, demorava e eu compreendia pouco do que acontecia. Aqueles encontros pareciam apenas um costume da nossa família. Com o tempo, reconheci o que estava sendo cultivado ali: disciplina, constância e uma abertura para aquilo que ultrapassa o que conseguimos ver e controlar.
Uma fé ensinada pela presença Minha mãe me ensinou a fé na maneira como a vivia. Na presença de cada domingo, na oração e na confiança com que atravessava a vida. Com ela, aprendi a dobrar os joelhos antes de endurecer o coração.
Aprendi a buscar amparo e a reconhecer que não precisava enfrentar tudo sozinha. O que eu ainda não compreendia foi criando raízes. Anos depois, diante das dificuldades, encontrei na fé uma sustentação: um lugar de recolhimento, esperança e força para continuar.
O que permanece em mim Na Logoterapia, a dimensão espiritual ou noética se refere às capacidades humanas de reconhecer valores, buscar sentido e responder à vida com liberdade e responsabilidade. Na minha história, a fé é uma expressão importante dessa dimensão e uma fonte de sentido. Hoje, olho para aqueles domingos com gratidão.
Reconheço neles o cuidado de uma mãe que me oferecia algo cujo valor eu só entenderia mais tarde. Minha mãe plantou em mim a fé que hoje me sustenta. Essa memória me convida a uma pergunta: que valores estamos cultivando na vida dos nossos filhos, mesmo quando eles ainda não compreendem?