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Histórias do Consultório “Se eu tivesse feito diferente…” Foi assim que uma pessoa começou a falar no consultório. Depois, vieram outras perguntas: “E se eu tivesse percebido antes? E se não tivesse terminado aquele relacionamento?

E se tivesse aceitado aquele emprego?” Cada “e se” parecia levá-la de volta a um passado que já não podia modificar. Durante a conversa, propus uma imagem: imagine que você está caminhando e bate o dedão em uma pedra. Sente dor e, depois, continua seu caminho.

Agora imagine que, após a batida, você pega aquela pedra, coloca debaixo do braço e passa a carregá-la por onde vai. Às vezes, vivemos a culpa dessa maneira. O acontecimento passou, mas seguimos revendo a cena, julgando nossas escolhas e nos punindo por aquilo que gostaríamos de ter feito diferente.

Reconhecer a responsabilidade e encontrar um caminho Na terapia, precisamos compreender essa culpa. Houve um erro pelo qual podemos nos responsabilizar? Ou estamos nos cobrando por algo que não podíamos prever ou controlar?

Hoje, sabemos coisas que não sabíamos naquele momento. Reconhecer isso ajuda a olhar para a própria história com mais justiça. No olhar da Logoterapia, a culpa por um erro pode abrir uma possibilidade de mudança: reconhecer a responsabilidade, pedir perdão, reparar o que for possível e agir de outra maneira.

É impossível voltar ao passado. Mas podemos cuidar das consequências no presente e construir respostas diferentes daqui para frente. Continuar caminhando Elaborar a culpa exige tempo e, em algumas situações, apoio.

Esse processo pode nos ajudar a transformar o arrependimento em uma atitude concreta, abrindo espaço para a continuidade da vida. O que essa pedra ainda pede de você: uma reparação possível ou um cuidado para conseguir deixá-la no caminho?

Danuza El KhatibPsicóloga · Logoterapeuta